Muitas vezes não é tanto a sensação de ter tomado uma decisão (de compra), mas de ter sido levado pelos acontecimentos.
A coisa nova - o melhor aparador de grama ou o congelador maior - de alguma maneira se tornou, por conta própria, uma necessidade.
Exerce seu próprio imperativo de ser adquirida e ameaça que a casa, sem ela, regridirá ao caos de uma era mais primitiva.
Longe de exercer uma escolha soberana, o miserável consumidor, em geral, se sente como o dono passivo de uma carteira de dinheiro, cujo conteúdo foi esvaziado por forças tão poderosas que fazem com que considerações morais pareçam impertinentes.”
//Anotações numa madrugada à espera de um voo. 5 de fevereiro/2011
Vejo você passando, sorrindo, o som da sua voz. Vejo você em outro corpo, nas nossas irmãs, em nossos pais.
Incrível, coração de fogo vira pedra, que nem olhar diretamente pra Medusa.
Olhos sem vida.
Não dá tempo de respirar.
Thiago Pethit fez aquele CD pra mim, sem nem saber. E eu o acolhi sem prever as surpresas do tempo. É engraçado: há um ano, ele já me fazia chorar.
(Quem sabe, talvez eu soubesse de tudo antes mesmo de acontecer…)
Em qualquer “até logo”, minha garganta fechava em protesto. (Ainda fecha.)
E você, que me lê, deve pensar: Meu Deus, que garota triste.
Eu não sou triste. Eu tenho memória.
E no meio do discurso de noivado dos meus melhores amigos, comecei a chorar. Não pelas palavras ditas. Faltava algo.
Então, ele virou pra mim, compreendendo tudo, e disse:
- Ela está aqui com a gente.
Leio poesias e penso tudo em poesia. Corto e esquento o pão e penso em versos. Talvez, se escrevesse, poderia ser uma boa poetisa.
Ainda falam poetisa? Olha lá, já comecei.